Um dos principais receios da grávida, sobretudo se for a primeira vez, é não reconhecer o início do trabalho de parto. Com a aproximação do final da gestação, qualquer contracção ou dor na barriga é tomada como um sinal. As contracções de Braxton Hicks, por exemplo, podem ser facilmente confundidas com as contracções de parto, pois costumam ficar mais fortes e frequentes na fase pré--parto. No entanto, estas são irregulares, raramente se sentem mais do que duas vezes por hora e podem localizar-se em distintos segmentos do útero (pelo que nem sequer o contraem no seu todo). Já as contracções de trabalho de parto começam devagar, tornando-se mais fortes, frequentes, dolorosas e com crescente pressão intra-uterina. Relativamente à dor, a sensação é um pouco subjectiva, já que as pessoas reagem de formas diferentes perante o mesmo estímulo. Tudo depende do chamado “limiar de dor”, isto é, o momento em que um dado estímulo é reconhecido como doloroso. Assim, se uma mulher tem um limiar baixo, sentirá a dor mais rapidamente do que outra com um limiar mais elevado, embora o estímulo seja igual. Por isso, para avaliar o início de trabalho de parto é fundamental medir a frequência e regularidade das contracções, e não a intensidade da dor.
A hora de ir para o hospital ou maternidade
A maioria das mulheres sente um conjunto de sintomas e sinais que indicam que entrou em trabalho de parto. No entanto, esses sinais não obedecem a uma ordem específica e, há casos, em que nem sequer se manifestam. Também é importante não esquecer que o trabalho de parto nem sempre progride de forma regular. Por exemplo, os sintomas podem surgir, desaparecer durante horas e depois regressar. Por seu turno, as contracções, em vez de começarem com intervalos relativamente espaçados e com pouca intensidade, poderão repetir-se de 3 em 3 minutos desde o seu aparecimento, assemelhando-se em termos de dor às contracções que se verificam durante o parto. Isto não significará, no entanto, que estará prestes a dar à luz e geralmente há tempo de sobra para chegar à maternidade. De qualquer forma, em caso de dúvida, o melhor é contactar o médico. Regra geral, o trabalho de parto inicia-se quando surgem as contracções com intervalos regulares, de 20 a 30 minutos e duração de cerca de 30 a 60 segundos, ainda moderadas, que irão permitir que o útero fique mais fino, mole e curto, começando a dilatar-se. Este período, a que se chama fase lactente, pode demorar até 8 horas, embora seja mais curto para quem já teve filhos. Esta fase não implica ainda o internamento. Aliás, a grávida deve mesmo caminhar para aumentar as contracções e abreviar a chegada à fase seguinte. Quando é que, então, se deverá ir para o hospital? Não há regras rígidas, mas em princípio será quando as contracções ocorrerem de 15 em 15 minutos, com duração de cerca de um minuto. Mas há outros sinais:
Na maternidade
Quando a grávida chega à maternidade é submetida a uma série de exames, para se determinar a fase do trabalho de parto em que se encontra. Mediante a observação dos sintomas, ser-lhe-á realizado um exame obstétrico - palpação vaginal (toque) - que permite verificar o comprimento do colo do útero e o seu grau de dilatação. Se a grávida tiver pelo menos com 3 cm de dilatação e com contracções regulares, entrou na fase activa do parto, sendo admitida para internamento. É então levada para uma sala de dilatação, onde será monitorizada através de um monitor fetal, que avaliará o bem-estar do bebé, através do registo dos seus batimentos cardíacos, e controlará a periodicidade das contracções. O colo do útero vai então dilatando lentamente, à medida que as contracções vão aumentando.
Antes ainda de entrar na segunda etapa do trabalho de parto, isto é, o nascimento do bebé, a grávida pode passar por uma fase de transição. Nesta fase podem ocorrer duas situações: ou a mulher tem já a dilatação completa e não tem a vontade de fazer força; ou não tem ainda a dilatação necessária para a expulsão mas sente já vontade fazer força. Neste último caso, a grávida terá de aguentar, pois se fizer força com 8 ou 9 cm de dilatação, o colo do útero transformar-se-á num anel espesso e inchado em volta do cocuruto da cabeça do bebé.
A epidural
Quando a dilatação alcança entre 5 a 7 cm, as contracções podem tornar-se consideravelmente incómodas e dolorosas. Nessa altura, se a paciente quiser ou se o médico achar conveniente, poderá aplicar-se a anestesia epidural, uma técnica anestésica que elimina as dores do parto sem afectar a mobilidade e consciência da grávida. Com efeito, o objectivo não é a ausência total de sensação, só o desaparecimento da sensibilidade dolorosa. Assim, a epidural não impede a mulher de participar e sentir toda a experiência do parto. Este acaba por ser mais tranquilo, beneficiando o feto, nomeadamente no que diz respeito à passagem de oxigénio da mãe para o filho. A anestesia, após realizada, começa a espalhar-se progressivamente entre 10 a 20 minutos. Por isso, se a dilatação começar a avançar rapidamente, pode não haver tempo para administrá-la. Depois de aplicada, a mulher tem de permanecer deitada. Entretanto, sendo uma técnica invasiva, a epidural também tem riscos, embora raramente haja problemas. As consequências mais frequentes estão relacionadas com as imprecisões na perfuração, que podem acontecer, por exemplo, quando a mulher se mexe. O principal sintoma é a cefaleia (dores de cabeça fortes) que, no entanto, acaba por desaparecer ao fim de alguns dias. Existem igualmente riscos de complicações neurológicas, mas são raríssimos.
Quando a bolsa de água rebenta. A futura mamã sentirá um líquido quente, de odor característico e coloração geralmente clara a fluir bruscamente entre as pernas e, ao contrário da urina, não conseguirá contê-lo. A bolsa pode romper de uma vez, deixando sair todo o líquido amniótico em torrente, ou apenas na parte de cima, pelo que o líquido sairá lentamente.
Quando se verifica a perda do rolhão mucoso pela vagina. Um muco pegajoso e espessoque se acumulou durante a gravidez. Nãotem cheiro, é acastanhado ou rosado e podesair de uma vez só ou aos poucos, juntamentecom vestígios de sangue. Apesar de não indicaro início de trabalho de parto, demonstra quehouve uma alteração no colo do útero e que obebé está a chegar.
A duração de um parto e o esforço dispendido diferem de mulher para mulher e até, na mesma mulher, de parto para parto. O trabalho de parto pode prolongar-se por 12 a 14 horas, se se tratar do primeiro filho. No entanto, isso não quer dizer que a grávida esteja a fazer força durante esse tempo todo. Aliás, essa fase poderá até durar apenas alguns minutos. Na realidade, o nascimento de uma criança passa por três etapas: a primeira começa com as contracções uterinas regulares e termina quando o útero apresenta 10 cm de dilatação; a segunda começa com o colo do útero dilatado e termina com o nascimento do bebé; já a terceira ocorre com a expulsão da placenta e das membranas.