O útero é o órgão que mais se transformou durante a gravidez, dilatando lentamente até ficar 30 a 40 vezes maior do que o normal. Logo após o parto, ele começa a regressar às dimensões originais, começando a contrair a uma média de 1 cm por dia (involução uterina), durante cerca de 5 a 6 semanas. Como consequência, a mulher pode sentir uma espécie de bola dura na parte inferior do abdómen, uma contracção, que se intensifica durante a amamentação e pode até ser dolorosa, sobretudo nas mulheres com mais de um filho.
Estas contracções são estimuladas pela acção da oxitocina (hormona segregada pela hipófise anterior) e facilitam não só a involução do útero, como também a expulsão dos lóquios, isto é, as perdas de sangue, por via vaginal, que ocorrem após o parto e que se prolongam durante 3 semanas.
Lóquios
Depois do nascimento do bebé, o revestimento do útero começa a descamar, dando origem a uma hemorragia, que mistura sangue e muco, a que se chama lóquios. Estas perdas de sangue, perfeitamente naturais, diminuem com o tempo, embora possam ser muito abundantes no início. Por seu turno, nos primeiros 3 ou 4 dias, os lóquios apresentam uma coloração de sangue vivo, depois tornam-se acastanhados, amarelados e, nos últimos dias, amarelo-esbranquiçados. Esta expulsão dos resíduos, juntamente com o aleitamento, facilita a involução do útero e possibilita um revestimento interno que dará origem ao novo ciclo menstrual.
O regresso da menstruação
Nas mulheres que amamentam, o regresso da menstruação pode acontecer apenas 3 a 4 meses após o parto, pois a hormona prolactina - que favorece a produção do leite - impede a ovulação. No caso de a mulher não amamentar, o regresso poderá acontecer 4 ou 8 semanas após o parto. De qualquer forma, é sempre muito variável. De salientar que durante o puerpério a higiene íntima deve ser mais cuidada e deve-se evitar o uso de tampões, recorrendo a pensos higiénicos. Com efeito, o estancamento do fluxo pode ser perigoso, porque ficam retidas substâncias tóxicas e corre--se o risco de criar infecções. De qualquer forma, o tampão pode ser utilizado depois da primeira menstruação, sem causar dor ou qualquer complicação na vagina ou no útero.
Episiotomia
É provável que, durante alguns dias, a mulher fique com dor na zona onde foi realizada a episiotomia (incisão perineal feita durante o parto, para facilitar a saída do bebé). Para evitar este desconforto e a possível infecção, deve-se aplicar gelo nessa região durante os primeiros 2 dias após o parto e a mulher deve colocar-se em decúbitos laterais (deitada de lado) durante a amamentação.
Alterações do períneo
A força muscular do períneo sai debilitada do parto. Por isso, é natural que a zona genital da mulher fique diferente. De facto, a vagina fica mais aberta, pode produzir uns ruídos que parecem gases ou libertar um fluido aquoso. Por seu turno, é possível que ocorram escapes de urina. Se tal acontecer, é preciso corrigir o problema de imediato, mediante um programa de exercícios destinados a fortalecer a musculatura do períneo, sob o risco de poder persistir durante toda a vida ou até agravar-se.
Alterações nos seios
Após o parto, e sob a influência de hormonas, a glândula mamária aumenta de volume e começa a segregar colostro, um líquido aguado, mas muito rico em proteínas e anticorpos, que vai proteger o bebé contra infecções enquanto o seu sistema imunitário ainda é frágil. Com efeito, o colostro tem todos os constituintes para o proteger, durante pelo menos os primeiros 6 meses.
Entre o 2º-3º dia após o parto, os seios podem ficar mais tensos e dolorosos, e a mãe poderá ter um pico febril. Isto deve-se à descida de leite, que poderá ingurgitar o peito caso a mulher não tenha alguns cuidados, como esvaziar as mamas logo após as mamadas e não nos intervalos das mesmas.
Recuperação do peso
Durante o puerpério, a mulher passa por uma evidente perda do peso corporal. Em primeiro lugar, perde o peso do bebé, da placenta, das membranas adjacentes e do líquido amniótico, que em conjunto representam cerca de 5 kg. Para além disso, perderá entre 2 a 4 kg, em resultado da diminuição do útero e da eliminação progressiva dos líquidos que se foram acumulando durante a gravidez. No final do puerpério, as mulheres costumam pesar, em média, 2 kg a mais do que pesavam antes da gravidez, considerando o aumento de peso ideal de 11 quilos. Durante os meses seguintes, a mulher deverá fazer uma alimentação cuidada e seguir um plano de exercícios físicos para reduzir harmoniosamente o peso corporal.
De qualquer forma, as mulheres em média só recuperam o peso anterior à gravidez ao fim de cerca de 6 meses após o parto.
Dietas: sim ou não?
Se a mulher não amamentar, uma dieta equilibrada não deverá levantar qualquer problema.
No entanto, para a mãe que amamenta, não fará muito sentido iniciar uma dieta de emagrecimento: por um lado, porque ela irá continuar a perder peso naturalmente; por outro, porque poderá correr o risco de comprometer a produção e a qualidade do leite, não colmatando as necessidades nutricionais do bebé.
No entanto, os quilos a mais não existem à toa. Na verdade, representam uma reserva calórica que permite ao organismo produzir leite.
Por todos estes motivos, a mamã deverá esperar pelo fim da amamentação para iniciar uma dieta, o que não quer dizer que não possa ter alguns cuidados com a alimentação.
Exercício: quando começar?
Quando se tem de cuidar de um bebé recém-nascido, é possível que fazer exercício pareça perfeitamente secundário. No entanto, o exercício físico deverá ser feito o mais depressa possível, para tonificar os músculos que foram distendidos durante a gravidez e o parto. Nos primeiros dias, dever-se-á fazer exercícios simples, sobretudo para trabalhar e fortalecer os músculos da zona pélvica. Fazer caminhadas e a ginástica pós-parto podem ser óptimas soluções.
Antes de fazer exercido físico, porém, a recém-mamã deverá certificar-se de que possui as condições físicas e psicológicas para o fazer.
Consultas ginecológicas
A primeira consulta de ginecologia será feita antes mesmo de a mãe sair da maternidade. Se o parto foi normal e sem complicações, a consulta de revisão do parto deverá realizar-se entre as 4-6 semanas subsequentes. Se foi cesariana, a consulta deverá ser entre o 10º e o 15º dia após a cirurgia. Esta consulta irá permitir detectar problemas como lesões a nível do útero, períneo, ou corrimento. As consultas seguintes serão indicadas pelo próprio ginecologista.