Cada caso é um caso, e será impossível determinar qual será o padrão em termos de frequência sexual ou de oscilações de desejo.
Primeiro Trimestre
Durante os primeiros meses de gravidez, a situação mais frequente é a diminuição da frequência de relações e do desejo sexual. No entanto, alguns casais revelam precisamente o contrário, isto é, um aumento de actividade sexual, pois a emoção e a alegria do momento que estão a viver propicia-lhes maior intimidade.
Para algumas mulheres, a gravidez proporciona inclusivamente uma maior realização sexual, devido ao aumento acentuado das secreções vaginais, aliado à maior afluência de sangue a todos os órgãos genitais, que aumenta o seu prazer. Até mesmo o facto de se poder ter sexo sem protecção pode originar uma sensação erótica.
No entanto, regra geral, é comum dar-se a perda da libido, quer pelo conflito do novo papel de mãe com o de mulher, quer pelas mudanças do corpo e indisposições associadas a esta nova fase, como os enjoos, náuseas ou dores no peito.
É também natural que o casal leve algum tempo a adaptar-se às mudanças e isso irá ter, obviamente, implicações na vida sexual.
Por seu turno, muitos casais evitam ter relações durante os primeiros meses, com medo de que as contracções do útero provoquem um aborto. Este é um dos grandes mitos da gravidez! Só quando existe alguma complicação é que a actividade física, inclusive a sexual, poderá representar um risco.
Segundo trimestre
A partir do 4.º mês de gestação, alguns desconfortos da gravidez tendem a desaparecer, nomeadamente as náuseas e a fadiga, e a tendência é para um maior reequilíbrio hormonal. A mulher sente-se melhor fisicamente e com mais disposição para o sexo, que se torna especialmente agradável.
Por seu turno, o casal já teve mais tempo para se habituar à nova realidade e poderá sentir-se mais relaxado. É também nesta altura que a grávida começa a sentir o bebé, nomeadamente os primeiros pontapés, sendo esta uma experiência física quase inseparável da resposta emocional que se segue.
Assim, tanto em termos físicos como emocionais, esta é, regra geral, a melhor fase para a grávida, que se sente mais feliz, bonita e feminina e orgulha-se de mostrar a barriga.
Haverá, de qualquer forma, casos contrários, em que as mulheres reagem mal às mudanças no corpo, achando-se gordas, feias e pouco atraentes e evitando a relação sexual com o parceiro.
Neste caso, nada melhor do que o diálogo entre os dois, para em conjunto encontrarem soluções.
Terceiro trimestre
Esta é a fase em que a mulher começa a suportar menos a gravidez, sofrendo não só com o peso da barriga - que altera o seu centro de gravidade, tornando-a um pouco mais desajeitada ao caminhar - mas também com dores nas pernas, com uma maior frequência urinária ou com a dificuldade em encontrar posição para dormir.
Por outro lado, a ansiedade aumenta face à aproximação do dia do parto e continua a existir o medo de que uma relação sexual desencadeie contracções prematuras ou que a penetração magoe o bebé. Mas atenção: em nenhum momento o bebé corre perigo durante as relações sexuais, porque está longe dos órgãos genitais da mãe e muito bem protegido dentro da bolsa de líquido amniótico.
Nesta fase também aumenta a dificuldade em encontrar uma posição confortável durante o sexo. Aqui ficam algumas sugestões de posições alternativas.
1. A grávida coloca-se por cima do parceiro, sem pressionar o ventre e distribuindo o peso pelas pernas. Os braços, apoiados ao lado da cabeça do parceiro, dão-lhe uma boa sustentação e controle de movimentos.
2. A posição de lado é indicada especialmente para os últimos meses: o homem encaixa-se atrás da mulher, permitindo que a barriga fique totalmente livre.
3. Esta é uma posição adequada para qualquer fase da gravidez: a mulher coloca-se de joelhos e apoia os cotovelos no chão, enquanto o homem a penetra por trás, não exercendo qualquer pressão sobre o abdómen. Os joelhos e os cotovelos funcionam como pontos de equilíbrio para a mulher.